Atriz desabafa e fala sobre assédio, violência e ameaças de morte: “Me bateu grávida”

Gorete Milagres, que ficou conhecida nacionalmente por conta da personagem Filomena, aceitou o convite da revista Claudia e abriu seu coração para a publicação.

A atriz e humorista narrou fatos de sua juventude e fase adulta, marcadas por episódios de perseguição, violência física, assédio moral e até ameaças de morte.

Gorete Milagres

Tatareta, neta e filha de fazendeiros, Milagres falou sobre a juventude. “Aos 19, virgem, sofri uma tentativa de estupro. Estava com amigas quando começou a chover e saí correndo para casa. No meio do caminho, o namorado de uma delas, que estava com a gente antes, me ofereceu uma carona. Eu inocentemente aceitei, mas ele dirigiu para uma mineradora afastada. Tentou tirar minha calça e não conseguiu, pois eu estava com um lenço amarrado na cintura. Morri de medo e criei uma cena. Deixei ele me dar um beijo e disse que preferia ir a um motel. A ideia era saltar do carro em um farol na cidade. No caminho, rezava para Santa Maria Goretti, que preferiu morrer a ser estuprada. Meu nome é uma homenagem a ela. Ele não seguiu meu plano e foi para uma estrada distante. Pensei na Santa, rezei, abri a porta do carro e pulei. Rolei bastante, depois me levantei e corri, com ele me seguindo. Avistei um ônibus e entrei na frente acenando para o motorista. Ele me deu uma carona até perto de casa”.

“Aos 25, tive minha primeira relação sexual com um homem com quem fiquei por anos. Em 1991, conheci na faculdade um estrangeiro lindo. Apaixonados, nos casamos. Um dia, fiz uma lasanha de berinjela e ele quebrou o recipiente enquanto gritava que odiava o vegetal. Ao mesmo tempo, chorava pedindo desculpas. Dali em diante, os episódios de violência foram crescendo”, entregou Gorete. Ela tentou dar uma segunda chance para o companheiro. “Esse homem me agrediu algumas vezes, mas a gota d’água foi quando me bateu grávida”, pontuou.

Em rede nacional, Milagres enfrentou o ambiente machista nos bastidores da televisão. “Fui vítima de abuso até no trabalho. Não foi fácil chegar na televisão e já ser campeã de audiência por ter conquistado o público com meu humor. Em um levante machista, colegas espalharam notícias falsas a meu respeito, tentando me queimar no meio. Recebi ligações agressivas e ofensivas. Fui ameaçada de morte. Em outra emissora, sofri assédio moral de um diretor, que fazia tortura psicológica comigo”, entregou.

Por conta dos seguidos episódios de violência, Gorete Milagres precisou buscar auxílio multidisciplinar. “Desenvolvi síndrome do pânico por causa de todos os abusos sofridos na carreira e na vida pessoal”.