Nelson Xavier: Globo emite nota de pesar

O ator e diretor Nelson Xavier faleceu hoje, dia 10 de maio, na cidade de Uberlândia, de insuficiência respiratória em decorrência de um câncer. Ele tinha 75 anos e lutava contra a doença há 14 anos. O corpo do ator será cremado no Rio de Janeiro.

 

Paulistano, Xavier foi um dos grandes nomes da TV, do cinema e do teatro. Na Globo, coleciona personagens marcantes, como Lampião, da minissérie “Lampião e Maria Bonita” (1982), Norberto, de “Renascer” (1993) e Sebastião, de “Senhora do Destino” (2004). O ator também teve passagem pela Manchete com o personagem Leopoldo Canjerê em “A História de Ana Raio e Zé Trovão” (1990), entre outros. Seu último trabalho na TV foi uma participação na novela das nove “Babilônia” (2015). Dois anos antes, ele havia feito o monge budista Ananda Riponche, na novela das seis “Joia Rara” (2013). Xavier completaria 49 anos de Globo este ano. Seu primeiro trabalho na empresa foi em ‘Sague e Areia’ (1968).

 

Formado na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo e um dos nomes do Teatro de Arena, Nelson Xavier decidiu enveredar para as artes audiovisuais após o golpe de Estado de 1964. Em depoimento ao projeto Memória Globo, em 2015, afirmou que “não tinha estrutura cultural e psicológica” para aguentar a perseguição política. O ator havia feito parte do elenco de montagens clássicas do teatro nacional, como “Eles Não Usam Black-tie” (1958), de Gianfrancesco Guarnieri, e “Julgamento em Novo Sol” (1962), de Augusto Boal.

 

No cinema, Nelson esteve em sucessos como “Dona Flor e seus Dois Maridos” (1976) e “Vai Trabalhar, Vagabundo!” (1973). Mais recentemente, em 2010, viveu o médium Chico Xavier, na cinebiografia homônima dirigida por Daniel Filho. Em um dos seus últimos trabalhos, no longa-metragem “A Despedida”, rodado em 2013, viveu um homem em estado terminal. Durante uma entrevista para o lançamento do filme na Mostra de Cinema Tiradentes, em 2015, o ator citou a doença que havia sido diagnosticada em 2004. “A experiência de encarar a finitude é uma coisa que eu já tinha em mim. A decadência física te ensina a entender mais a vida”, declarou, em entrevista ao jornal “O Dia”. Também participou do filme “A Floresta que se move” (2015).

 

Sua última aparição pública foi na exibição do longa-metragem “Comeback” durante o Festival do Rio deste ano. No drama de Erico Rassi, Nelson Xavier interpretou Amaro, um ex-pistoleiro que se refugia numa pequena cidade de Goiás após sua aposentadoria. Nelson Xavier deixa a mulher, a atriz Via Negromonte (Wilma Fernandes Negromonte), e quatro filhos.