Stênio Garcia

O capixaba Stênio Garcia Faro nasceu na cidade de Mimoso do Sul, em 28 de abril de 1933. Quando os pais se separaram, mudou-se com a mãe para o Rio. Começou como ator amador em 1952 e, em 1955, entrou para o Conservatório Nacional de Teatro. Ao terminar o curso, foi para a companhia de Cacilda Becker, na qual fez sua estreia como profissional em 1959, na peça Os Perigos da Pureza, de Hugh Mills. Depois, integrou o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, onde atuou em Panorama Visto da Ponte, de Arthur Miller, em 1960; A Semente, e Gianfrancesco Guarnieri, As Almas Mortas, de Gogol, e A Escada, de Jorge Andrade, todas em 1961; A Morte do Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, em 1962; e Vereda da Salvação, de Jorge Andrade, em 1964, entre outras peças.

Sua primeira experiência na televisão foi dirigindo o Teleteatro Brastemp, na TV Excelsior. Já a sua estreia em telenovelas aconteceu em 1966, quando atuou em Minas de Prata, adaptação do romance de José de Alencar por Ivani Ribeiro, dirigida por Walter Avancini. “Era para fazer o início da novela, eram três meses, mas o personagem fez um sucesso tão grande que eu acabei ficando até o fim”. Ainda na Excelsior, fez outras novelas da autora, entre as quais Os Fantoches (1967), A Muralha (1968), Dez Vidas (1969) e Os Estranhos (1969). “Aí, eu me tornei o filhão da Ivani. É a minha mãezona profissional. Porque eu considero o Avancini o meu pai profissional”, diz.

Stênio Garcia atuou em diversas minisséries: Bandidos da Falange (1983), Aguinaldo Silva, Padre Cícero (1984), de Aguinaldo Silva e Doc Comparato, onde viveu o polêmico personagem-título, Boca do Lixo (1990), de Silvio de Abreu; Agosto (1993), adaptada por Jorge Furtado e Gina Assis Brasil da obra de Rubem Fonseca; A Madona de Cedro (1994), adaptada da obra de Antônio Callado por Walther Negrão; Engraçadinha… Seus Amores e Seus Pecados (1995), baseada na obra de Nelson Rodrigues e escrita por Leopoldo Serran; Decadência (1995), baseada no romance de Dias Gomes e escrita e dirigida por Roberto Farias; Hilda Furacão (1998), escrita por Gloria Perez a partir da obra de Roberto Drummond; e Labirinto (1998), de Gilberto Braga. Em 2000, participou de A Muralha, de Ivani Ribeiro, e no ano seguinte, de Os Maias, adaptada por Maria Adelaide Amaral da obra de Eça de Queirós.

De volta às novelas em O Clone (2001), de Gloria Perez, interpretou o muçulmano Ali Rachid, tio de Jade (Giovanna Antonelli) e amigo do médico Albieri (Juca de Oliveira). Também encarnou o demônio Asmodeu, nas duas jornadas de Hoje é Dia de Maria (2005), e foi o Dr. Castanho, um psiquiatra renomado e excêntrico em Caminho das Índias (2009), também de Gloria Perez. Em 2012, voltou a trabalhar numa trama da autora, Salve Jorge, desta vez no papel do milionário falido Arturo.

No Canal Futura, apresentou o programa Brava Gente Brasileira. E atuou em cerca de 30 filmes, entre os quais Vereda da Salvação (1964) e O Crime do Zé Bigorna (1977), ambos de Anselmo Duarte; Os Matadores (1997), de Beto Brant; e Eu, Tu, Eles (2000), de Andrucha Waddington, que lhe rendeu mais um prêmio de Melhor Ator da APCA.